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ISO 27001: os controles de identidade e acesso do Anexo A (guia da versão 2022)

Os controles de identidade e acesso da ISO 27001:2022 (A.5.15 a A.5.18, A.8.2 e A.8.5): o que cada um pede, a correspondência com o A.9 da versão 2013 e as evidências que o auditor costuma pedir.

Avatar de Júlia Valim

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8–12 minutos
ISO 27001 e os Controles de Identidade do Anexo A

Resumo rápido. Na ISO/IEC 27001:2022, a gestão de identidade e acesso está concentrada em quatro controles do Anexo A: A.5.15 (controle de acesso), A.5.16 (gestão de identidade), A.5.17 (informações de autenticação) e A.5.18 (direitos de acesso). Eles se completam com controles tecnológicos, como A.8.2 (acesso privilegiado) e A.8.5 (autenticação segura). Na auditoria, o que pesa é a evidência de que o controle funciona todos os dias: matriz de acesso, registros de entrada e saída, revisões periódicas com decisão registrada e retirada de acessos no desligamento.

A ISO/IEC 27001 é o padrão internacional para sistemas de gestão de segurança da informação (SGSI) e aparece com frequência em processos de compra de clientes corporativos. Dentro dela, os controles de identidade e acesso costumam concentrar achados de auditoria, porque dependem de processos que mudam todo dia: gente entrando, mudando de área e saindo. Neste guia, você vê o que cada controle pede, como implementar e quais evidências separar para a certificação.

O que é o Anexo A da ISO 27001?

A ISO 27001 tem duas partes. O corpo da norma traz os requisitos do SGSI (contexto, liderança, análise de riscos, melhoria contínua). O Anexo A traz uma lista de controles de referência. Na versão 2022, são 93 controles em quatro temas: organizacionais (5), de pessoas (6), físicos (7) e tecnológicos (8).

Dois pontos evitam confusão:

  • A empresa decide quais controles aplica. A decisão sai da análise de riscos e fica registrada na Declaração de Aplicabilidade (SoA), com a justificativa para incluir ou excluir cada controle. Na prática, os controles de identidade se aplicam a quase toda empresa, porque toda empresa precisa decidir quem acessa o quê.
  • A 27001 diz o quê; a 27002 sugere o como. O detalhamento de cada controle (o que uma boa implementação costuma ter) está na ISO/IEC 27002:2022, que é um guia, não um requisito. As listas abaixo seguem essa lógica: são o que o auditor costuma esperar ver, não um texto obrigatório.

Se a sua empresa ainda tem certificado na versão de 2013: pelas regras do IAF (documento MD 26), a transição para a 2022 tinha de terminar até 31 de outubro de 2025. Depois dessa data, certificados na versão antiga expiram ou são retirados.

Os controles de identidade e acesso em uma tabela

Controle (2022)Equivalente na 2013O que pede, em resumoEvidência típica na auditoria
A.5.15 Controle de acessoA.9.1.1 e A.9.1.2Regras de acesso definidas pelo negócio e pela segurança, com base em “precisa saber” e “precisa usar”Política aprovada e matriz de acesso por função
A.5.16 Gestão de identidadeA.9.2.1Cada identidade é única, tem dono e é gerida da criação à desativaçãoInventário de identidades, inclusive contas de serviço, e registros de criação e desativação
A.5.17 Informações de autenticaçãoA.9.2.4, A.9.3.1 e A.9.4.3Entrega, guarda e troca de senhas e outros segredos sob controlePolítica de senhas e processo de entrega e redefinição de credenciais
A.5.18 Direitos de acessoA.9.2.2, A.9.2.5 e A.9.2.6Acesso concedido com aprovação, revisado de tempos em tempos e retirado quando a pessoa sai ou muda de funçãoPedidos aprovados, revisões periódicas com decisão registrada e retiradas no desligamento
A.8.2 Acesso privilegiadoA.9.2.3Acesso privilegiado restrito ao mínimo, aprovado, com prazo de expiração e revisado periodicamenteLista de contas privilegiadas com dono e data da última revisão
A.8.5 Autenticação seguraA.9.4.2Autenticação proporcional ao risco, como MFA em acessos críticosConfiguração de MFA no provedor de identidade

Também conversam com esses controles o A.5.3 (segregação de funções, antes A.6.1.2) e o A.8.3 (restrição de acesso à informação, antes A.9.4.1). Na versão de 2013, quase todos ficavam no capítulo A.9.

A.5.15: controle de acesso

O A.5.15 pede que a empresa defina e aplique regras de acesso físico e lógico com base nos requisitos do negócio e de segurança. É o controle que diz “quem pode ter acesso ao quê, e por quê”. Os princípios de referência são o “precisa saber” (need-to-know) e o “precisa usar” (need-to-use), que na prática são o menor privilégio.

Como implementar

  • Escreva a política de controle de acesso e aprove com a liderança.
  • Monte a matriz de acesso: para cada função, quais sistemas e quais perfis ela recebe por padrão.
  • Defina o caminho das exceções: quem aprova acesso fora do padrão e onde isso fica registrado.
  • Cubra todos os tipos de sistema, inclusive SaaS contratado por áreas fora de TI.

O erro mais comum é ter a política sem a matriz. O documento existe, mas não há como comparar o que está escrito com quem tem acesso de verdade. Se a sua empresa usa papéis, veja o que é RBAC.

A.5.16: gestão de identidade

O A.5.16 pede que o ciclo de vida completo das identidades seja gerido. Cada identidade deve ser única e ligada a uma pessoa ou, no caso de contas de serviço e integrações, a um responsável. Identidades compartilhadas só com justificativa e aprovação. Quando a identidade não é mais necessária, ela é desativada ou removida.

Os três momentos em que mais aparecem falhas:

  • Entrada: conta criada sem registro de quem pediu e quem aprovou.
  • Mudança de área: acessos novos somados aos antigos, o acúmulo de privilégios.
  • Saída: contas que continuam ativas depois do desligamento, sobretudo em aplicativos fora do SSO. Veja as exigências no offboarding.

A norma não exige automação. Mas, sem ela, a evidência costuma ser montada às pressas na semana da auditoria. Ligar o ciclo de vida ao sistema de RH faz com que cada entrada, mudança e saída gere o registro sozinha. Mais em gestão do ciclo de vida do usuário.

A.5.17: informações de autenticação

O A.5.17 trata das credenciais em si: como senhas, tokens e outros segredos são entregues, guardados, trocados e revogados. Exemplos do que se espera: senha inicial temporária com troca obrigatória no primeiro acesso, canal seguro para entregar credenciais, orientação aos usuários para não compartilhar senhas e um gerenciador de senhas para contas que não passam pelo SSO.

O MFA costuma ser associado a este controle, mas o lugar dele no Anexo A é o A.8.5 (autenticação segura), que pede autenticação proporcional à sensibilidade do acesso. Em boa parte das empresas, a maior parte desses dois controles é atendida no provedor de identidade, como o Microsoft Entra ID ou o Google Workspace. Para escolher o método, veja os tipos de autenticação.

A.5.18: direitos de acesso

O A.5.18 cobre a vida de cada permissão: como ela é concedida, revisada, ajustada e retirada. Costuma ser um dos controles que mais geram pedido de evidência na auditoria, porque o auditor costuma pegar uma amostra de pessoas e conferir cada etapa.

  • Concessão: pedido e aprovação do dono do sistema ou do gestor, de acordo com a política do A.5.15.
  • Revisão periódica: gestores confirmam ou retiram os acessos das suas equipes em ciclos definidos. Acessos privilegiados costumam ser revisados com mais frequência (veja o A.8.2).
  • Ajuste na mudança de função: o que não serve mais para a função nova sai.
  • Retirada: no desligamento ou no fim de contrato de terceiros, todos os acessos são retirados, com registro de quando isso aconteceu.

O ponto fraco da revisão é a qualidade. Quando o gestor recebe uma lista longa e sem contexto, ele aprova tudo. Contexto ajuda: último uso, mudança recente de área, acesso fora do padrão da função. Veja 5 dicas para revisão de acessos.

Checklist de evidências para a auditoria

  • Política de controle de acesso, com versão e data de aprovação.
  • Matriz de acesso por função e registro das exceções aprovadas.
  • Inventário de identidades ativas com responsável, incluindo contas de serviço e de terceiros.
  • Registros de entrada, mudança e saída de pessoas, com data de cada concessão e retirada.
  • Relatórios das revisões periódicas: quem revisou, quando, o que foi mantido e o que foi retirado.
  • Lista de contas privilegiadas com dono e data da última revisão.
  • Configuração de MFA e política de senhas no provedor de identidade.

Um teste rápido: escolha cinco pessoas que saíram nos últimos três meses e confira se ainda existe alguma conta ativa delas, em qualquer sistema. Se aparecer, o auditor também vai achar.

Por que implementar um controle sem os outros não fecha a conta

  • Política (A.5.15) sem ciclo de vida (A.5.16): as regras existem, mas ninguém garante que valem na entrada e na saída.
  • Ciclo de vida (A.5.16) sem revisão (A.5.18): a concessão é controlada, mas as permissões se acumulam com o tempo.
  • Revisão (A.5.18) sem autenticação forte (A.5.17 e A.8.5): o acesso certo pode ser usado pela pessoa errada.

Na prática, autenticação (quem é você) fica no provedor de identidade, e governança (o que você deveria acessar e por quanto tempo) é o papel da IGA. Entenda a diferença em IAM, IGA, RBAC e PAM.

Como a Niuco ajuda nos controles de identidade

A Niuco não substitui o seu provedor de identidade: a autenticação e o MFA continuam no Microsoft Entra ID ou no Google Workspace. Ela trabalha junto com eles na parte de governança:

  • A.5.15 e A.5.16: inventário de identidades e acessos, inclusive terceiros e contas de serviço; políticas por papel e departamento; criação, alteração e retirada de acessos a partir do RH.
  • A.5.18 e A.8.2: campanhas de revisão de acessos com o registro de cada decisão, acessos temporários com expiração e revisão, expiração e revogação de acessos privilegiados. A autenticação e o registro das sessões privilegiadas continuam no provedor de identidade ou na ferramenta de PAM.
  • Evidência: trilha de cada concessão, revisão e retirada, com exportação para a auditoria.

Trabalha em instituição financeira? Veja também o guia de compliance bancário. Se a sua empresa também passa por SOC 2, veja SOC 2 e controle de acesso.

Perguntas frequentes sobre ISO 27001 e controle de acesso

Quais controles da ISO 27001 tratam de identidade e acesso?

Os principais são A.5.15 (controle de acesso), A.5.16 (gestão de identidade), A.5.17 (informações de autenticação) e A.5.18 (direitos de acesso), da ISO/IEC 27001:2022. Eles se completam com A.8.2 (acesso privilegiado), A.8.3 (restrição de acesso à informação), A.8.5 (autenticação segura) e A.5.3 (segregação de funções).

A ISO 27001 exige MFA?

Não de forma explícita. O A.8.5 pede autenticação segura, proporcional ao risco, e deixa o método a critério da empresa. Na prática, é comum o auditor perguntar por MFA em acessos remotos, administrativos e a sistemas críticos.

Com que frequência revisar os acessos?

A norma não fixa um prazo. A empresa define a frequência pelo risco e cumpre o que definiu. Um ritmo comum é trimestral para acessos privilegiados e sistemas críticos e semestral ou anual para os demais.

Onde fica o princípio do menor privilégio na ISO 27001?

No A.5.15, pelos princípios de “precisa saber” e “precisa usar”, e no A.8.2, para acessos privilegiados. A revisão periódica do A.5.18 é o que mantém o menor privilégio ao longo do tempo.

Ainda vale o certificado da ISO 27001:2013?

Não. Pelas regras do IAF, a transição para a versão 2022 tinha de terminar até 31 de outubro de 2025. Na versão de 2013, os controles equivalentes ficavam no capítulo A.9 (controle de acesso).

Qual a diferença entre ISO 27001 e SOC 2 no controle de acesso?

A ISO 27001 certifica um sistema de gestão: a empresa mostra que identifica riscos e mantém controles. O SOC 2 é um relatório de auditor sobre controles ligados aos Trust Services Criteria do AICPA. No tipo 2, o auditor testa se os controles funcionaram durante um período. Nos dois, revisão periódica de acessos e retirada no desligamento aparecem entre as evidências mais pedidas.

Sobre a Niuco. A Niuco governa quem deve ter acesso aos sistemas da empresa e automatiza a criação, a alteração e a retirada de acessos, junto com o Microsoft Entra ID e o Google Workspace. Conheça a governança de identidade da Niuco ou solicite uma demonstração.

Conteúdo informativo, sem valor de parecer jurídico ou de auditoria. ISO e IEC são marcas das respectivas organizações; demais marcas citadas pertencem aos respectivos donos.

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